Gosto de pensar que é preciso 'olhar o outro' com os olhos do outro. Não apenas com os nossos.
Tarefa difícil é ser humilde. Talvez, com um esforço sincero, possamos ser. Pelo menos 'um tiquinho de nada'... E 'olhar o outro' requer esse 'tiquinho de nada'. Esse esforço sincero...
Acho curiosa (entre aspas) a petulância do homem de querer desenhar Deus; de querer defini-lO ou interpretá-lO. E, sobre esse aspecto, o homem não é nem um pouco humilde.
As Escrituras Sagradas dizem que Deus é o EU SOU. E, julgo, ser o 'eu sou' é não se encaixar na
arrogância, na intolerância, no orgulho... resumindo: ninguém pode ser o 'eu sou'. Quem não é arrogante? Quem não é intolerante? Quem não é orgulhoso?
Sim. Somos todos diferentes, embora sejamos tão iguais.
O importante mesmo é compreender que, no paradoxo do 'ser', ainda há espaço para a gentileza, para a compreensão, o afeto, o 'obrigado', o 'de nada', o 'estou feliz por você', o 'desculpe-me', o 'errei'...
Um dos prazeres da vida é, acredito, a sensação de não ser um ET. A compreensão de que, como Fulano, Betrano também tem medos, também tem ansiedades, também é inseguro;
a sensação e a certeza de que X não é melhor que Y;
a sensação de que X não pode ser Y, nem Y poderá ser X.
Eles apenas são o que são. Nem mais. Nem menos.

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